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10 de mar de 2011

Carta a ser entregue a FPJ - Unidade Campo de Santana.

A Administração da Fundação Parques e Jardins
Unidade Campo de Santana - Rio de Janeiro - RJ

Sr. Administrador,

Nós, voluntários que atuamos na proteção animal no Parque Campo de Santana, conhecido popularmente como o “Parque dos Gatinhos” vivenciando o dia-a-dia desta situação angustiante de abandono e descaso da gestão pública em referência aos “felinos” e outros animais que habitam este espaço, formamos um grupo e criamos o Projeto Gato Carioca que em 30 dias de criação tem em seu BLOG mais de 2000 visitas e recolheu donativos tais como: ração para adultos e filhotes, leite NAN, medicação, material de limpeza entre outras coisas. As doações são entregues, semanalmente ao Campo de Santana, nas mãos de Protetoras como D. Dione, Dra. Denise Renault (veterinária voluntária), D. Ione e Dra. Michele (voluntária pediatra) Lítia (bióloga), Carmen, Dáris ou a qualquer outra que esteja atuando nos cuidados dos animais.  Entretanto, não temos sequer um local apropriado para manter nossos estoques. São gastos 500 Kg de ração para adultos e 100 Kg para filhotes. São utilizadas 7 latas de NAN 1º semestre para os filhotes recém nascidos. Os medicamentos ainda dependem do RECEITUÁRIO que conseguimos através de veterinários e médicos parceiros do projeto. A SEPDA não atua diretamente nestes casos, apenas prescreve mas não paga o custo do tratamento.

Entre nossas ações, desde 06 de fevereiro de 2011 (30 dias), se encontram a adoção de 25 animais e mais 13 retirados sendo que dois vieram a falecer em clínicas custeadas por doações, 1 fêmea ainda internada com problemas renais crônicos, 9 filhotes estão em Lares Temporários, sem contar os que se encontram no espaço denominado “ambulatório” dentro do próprio parque, onde atualmente devem ter mais de 12 gatos em tratamento intensivo com graves problemas inclusive de contagio.





Muitos animais teriam morrido se não fosse o trabalho insano porém necessário que realizamos, superando limites e enfrentando críticas. Vários animais estão perdendo a visão com a retirada prematura de seus olhos, no dia 20 de fevereiro contabilizei, somente no Bambuzal 7 animais mutilados. Temos uma fêmea (Valentina) aos nossos cuidados cega com 2 meses de vida e um macho (Johnny) adotado que perdeu 1 olho também com 2 meses de vida! Apenas uma estatística frente aos quase 400 gatos que sobrevivem e habitam o parque. Porém o quadro é grave e angustiante, morrem em média 2 animais/dia quando há enchentes chegam a morrer 12 ou mais. Pelo menos um caso grave é recolhido por dia para o "ambulatório" improvisado (esporotricoze, bicheira, ferimentos e traumatismos por espancamento).


Pensando nisso, viemos a refletir se estas ações seriam suficientes para PROTEGER os animais destes contágios pois, novos filhotes e gestantes estão misturados a gatos doentes. Seria este o nosso trabalho voluntário? Lutar para continuar a ver diariamente o abandono e as perdas? Tivemos muitos óbitos decorrentes das chuvas que castigaram a semana de carnaval. Muitos brincavam pelas ruas mas nós continuamos aqui de alguma forma. Nossos corações não nos permitem dormir em paz sabendo que os animais estão expostos as intemperies. Temos fotografias para comprovar estes relatos (1). Perdemos o Leo internado há 15 dias com rinotraqueíte crônica, perdemos os 4 irmãos “Z”, carinhosamente batizados entre outras baixas. Estamos nos sentindo impotentes e desoladas, precisamos nos unir para atuar de forma eficaz, os animais são NOSSA RESPONSABILIDADE!

(1) Bambuzal - BERÇÁRIO!
Foto Rosana Guerra

Solicitamos um repensar da situação e, primeiramente, definir se este parque continuará a ser o “Parque dos Gatos”. Em caso afirmativo, devemos tratar o campo e os animais com a dignidade e respeito que a Constituição Federal garante.
A Constituição Federal dispensa um capítulo com a proteção do meio ambiente no capítulo VI do Título VIII, com o artigo 225, parágrafos e incisos. Desta forma, o mínimo que se espera de um gestor é o cumprimento da Carta Magna da República.

Art. 225 Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.

§ 1º – Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público:

(…)VII - proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais a crueldade.

Destacamos também o Decreto Lei Nº 24.645, de 10 de julho de 1934, que define maus-tratos contra animais e a Lei Federal Nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, a "Lei dos Crimes Ambientais".

Tratar estes animais, assim como os demais que lá habitam, de forma saudável e digna seria dar a eles a chance de viver em meio ambiente urbano tendo as suas necessidades básicas atendidas, não provocando danos ambientais sejam pelas doenças sejam pelos excrementos e proliferação de vetores já que os abrigos se encontram na região em frente ao Hospital Souza Aguiar.

Em fevereiro, em visita ao parque deflagramos uma série de denúncias junto a COMLURB para a retirada do lixo acumulado há meses próximo ao bambuzal, insalubre e altamente poluidor. Amenizou porém não resolveu pois o local ainda esta sujo e insalubre. O lixo foi retirado em 24hs após as denúncias, talvez pelo receio da presença da imprensa que faz o “cenário” mudar rapidamente.

Pensando nos animais, especificamente nos gatos que são abandonados e despejados no campo de forma clandestina e ilegal, doentes e desnutridos, achamos por bem recebê-los ao invés de fechar os olhos para esta situação grave!

Trabalhando em conjunto e através de parcerias poderemos reverter o quadro e desta forma, solicitamos autorização, desde que aprovado pelo IPHAN, para deflagrar uma campanha cujo objetivo será promover as seguintes ações:

  1. Criar uma área junto ao portão da Rua Buenos Aires para (a) Recepção de Filhotes com a contrapartida da castração da “mãe” através da SEPDA que atua no Parque e (b) Campanha de Adoção 2 vezes por semana no mesmo espaço;
  2. Buscar, junto a iniciativa privada, uma parceria para construção de Abrigos definidos em conjunto que atendam as características felinas, para serem distribuídos pelas várias colônias de gatos que existem no Campo de Santana;
  3. Drenagem e imediato calçamento da área do bambuzal pois, como ilustrado, não nos permite atuar no Campo de Santana em dias de chuva;
  4. Recuperação dos abrigos existentes, elevando as casas do nível do chão a uma altura de pelo menos 1 m, lixando, pintando e vedando;
  5. Redistribuição dos abrigos recuperados. Estes abrigos se encontravam em torno do campo e foram retirados pela administração anterior e colocados em um local que no passado se fazia compostagem e adubagem do solo. Este local fica completamente inundado e insalubre quando chove, matando os filhotes conforme já descrito anteriormente;
  6. Retirada do entorno da área do bambuzal do lixo acumulado diariamente;
  7. Autorização para a reforma do espaço denominado “ambulatório” com a inclusão, se for viável, do espaço existente ao lado deste (cozinha) para o tratamento de animais doentes graves, piso e parede de material cerâmico, pintura e iluminação, instalação de uma pia, bancada e armário para guardar os remédios doados;
  8. Criação de um espaço isolado para abrigar as gatas grávidas para terem seus filhotes em segurança e após o período da amamentação seja realizada a castração. Este local seria utilizado como berçário até os filhotes serem liberados para adoção. As necessidades deste espaço também viriam das doações que, certamente, vamos receber;
  9. Criação de um Espaço para Seminários e Palestras onde, semanalmente seria promovido pequenos módulos de Educação Ambiental através de Voluntários Ambientalistas que serão cadastrados e selecionados. Esta oportunidade daria as crianças uma dimensão da realidade de uma Metrópole; e
  10. Cuidado redobrado na poda das árvores, inclusive quando as mesmas são totalmente retiradas. Dentro delas existem muitos gatinhos e cada árvore retirada é menos um agente de filtro atuante na despoluição do meio urbano.
Campanhas de Educação Ambiental e ações através da Guarda Municipal para coibir o abandono clandestino seria um diferencial neste projeto.

Podemos fazer diferente e trazer estudantes do 1º Ciclo, deficientes visuais, auditivos, cadeirantes para terem contato com os animais saudáveis em áreas segura e apropriadas para estas ações.

EDUCAR A POPULAÇÂO é a única maneira que conhecemos para conscientizar a mesma sobre a proteção ao meio ambiente, incluindo as espécies vegetais, animais e minerais. Entre outras atividades a programar, faremos um café da manhã no Parque e traremos a população para visitar este espaço único porém maltratado e com ar de abandono e descaso.

Nós vivemos e convivemos com todos estes problemas e precisamos aprender a contribuir com a gestão pública de forma a efetivar ações que visem o bem estar social e ambiental. Nós temos a nossa parcela social a cumprir, não basta reclamar e criticar.
Contamos com o seu apoio e providencias para que este quadro, definitivamente, mude e traga benefícios não somente para estes animais mas para a Cidade Maravilhosa, foco da mídia internacional nos próximos anos. Sabemos que algumas dificuldades junto as autorizações derivam do Tombamento da área mas não são impeditivas apenas dependem de formalização para que não firam as restrições estabelecidas.

Sem mais para o momento,
Agradecemos a oportunidade para registrar este quadro.
Aguardamos, com urgência, as autorizações para agir.
Se nada for feito uma Ação Civil Pública será o nosso único caminho.
Sua administração poderá ser será lembrada por ações e não por omissões!
A escolha de como será lembrado é sua!

Gato Carioca e protetoras.











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