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2 de mai de 2012

Sequestro de Córnea em felinos


O seqüestro corneano também chamado de “córnea nigra”, “necrose corneana” ou “mumificação corneana” é uma alteração na córnea que aparece principalmente em gatos. Mas cavalos (HAKANSON & DUBIELZIG, 1994) e cães (BOUHANNA et al., 2008) também podem ter esta doença. A aparência é de uma placa marrom ou preta, de tamanho variável, no centro da córnea. Não se sabe ao certo ainda o que causa a formação desta placa, mas é visto que uma irritação crônica da superfície da córnea acaba levando ao seqüestro, que nada mais é do que uma degeneração do colágeno causando necrose da córnea (morte do tecido). Portanto, pêlos, ou as pálpebras, tocando constantemente a córnea, infecção crônica nos olhos (vírus e bactérias) e falta de lágrima podem desenvolver esta alteração.




É mais comum em gatos braquicefálicos (focinho curto), pois os olhos são mais proeminentes, estando assim mais predispostos a lesões. Além do mais eles fecham menos os olhos que os gatos de focinho comprido, assim espalham menos a lágrima sobre a córnea. As raças mais predispostas são: persa, himalaia e birmanês.

O tratamento indicado é a remoção cirúrgica do seqüestro, tendo em vista que a utilização de colírios não fazem com que a placa desapareça (HERRERA, 2008). Entretanto, é importante utilizar colírios que controlem a inflamação e a infecção. Antigamente a cirurgia não era muito indicada, pois se esperava que a placa “caísse”. Hoje sabemos que esta conduta é arriscada pois por baixo da placa pode haver uma lesão muito profunda na córnea e o olho pode chegar a perfurar, além do enorme desconforto para o animal. A cirurgia é realizada sob microscópio cirúrgico (Figura 3) com instrumentos muito delicados, próprios para microcirugia. Também é importante tratar possíveis causas do sequestro, quando presentes, como: entrópio (pálpebras viradas para dentro), triquíase (pêlos tocando a córnea), olho seco e conjuntivites crônicas. O estado sistêmico (geral) também deve ser acompanhado de perto, pois muitos gatos com seqüestro apresentam uma baixa imunidade.

Figura 1: doença é mais comum em gatos branquicefálicos

Figura 2: Seqüestro de córnea em felino da raça persa.
Observe úlcera de córnea superficial ao redor da placa escura.



Fonte Oftalmologia Animal,  Médica Veterinária Fabiana Quartiero Pereira -  30/05/09


REFERÊNCIAS
1. BOUHANNA, L.; LISCOËT, L.B.; RAYMOND-LETRON, I. Corneal stromal sequestration in a dog. Veterinary Ophthalmology. 2008; 11(4):211-214.


2. HAKANSON, N.E.; DUBIELZIG, R.R. Chronic superficial corneal erosions with anterior stromal sequestration in three horses. Veterinary and Comparative Ophthalmology 1994. 4(4):179-183.


3. HERRERA, D. Oftalmologia no gato. In: HERRERA, D. Oftalmologia Clínica em animais de companhia. 1. Ed. São Paulo: MedVet Livros. 2008:237-262


2 comentários:

  1. Meu bebê teve duas vezes ; graças a Deus e os cuidados médicos eficazes ficou boa, deixando apenas uma leve deformação na córnea na última vez.

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  2. Alguém sabe como curar isso?

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