Pesquisar neste blog

4 de mai de 2012

Epidemia incomum de doença cutânea está em curso no Estado do Rio de Janeiro


O Estado do Rio de Janeiro - sobretudo a região da Baixada Fluminense e, mais recentemente, a Zona Oeste - tem sido cenário de uma epidemia incomum de esporotricose, doença caracterizada por lesões cutâneas causadas pelo fungo Sporothrix schenckii


Em geral, ocorrem alguns poucos casos isolados de esporotricose. Porém, de 1998 para cá, já ocorreram no Rio mais de 800 casos humanos, registrados no Instituto de Pesquisa Clínica Evandro Chagas (Ipec), unidade da Fiocruz. Para efeito de comparação, de 1987 a 1997, foram diagnosticados no Ipec apenas 13 pacientes.

A transmissão clássica da esporotricose ocorre quando a pessoa se machuca na terra, no espinho de uma planta ou em outros materiais orgânicos contaminados pelo S. schenckii. 

Quanto à atual epidemia, a equipe do Ipec verificou que cerca de 85% dos pacientes não devem ter contraído a doença pela forma clássica, e sim através de mordidas, arranhões ou outros contatos com gatos doentes. 

Esse dado chama a atenção, porque durante muito tempo a esporotricose felina foi considerada rara. Porém, nos últimos sete anos, foram diagnosticados no Ipec mais de 1.500 gatos com esporotricose provenientes do Rio.

A epidemia de esporotricose em curso no Rio de Janeiro também é incomum em relação aos sintomas da doença. Na maioria das vezes, a lesão na pele começa como um pequeno caroço avermelhado, que, com o passar do tempo, fica mole, libera uma secreção purulenta e se transforma em uma ferida. Essa ferida, que quase sempre aparece nas mãos, braços ou pernas, pode originar outras, em uma espécie de rastro a partir da lesão inicial. 

Nos pacientes atendidos no Ipec, têm sido observadas manifestações raras de esporotricose, como feridas com múltiplas localizações, inclusive com vários trajetos, e lesões nas mucosas da boca, do nariz e dos olhos.

No ser humano, as feridas da esporotricose são dolorosas. No entanto, em 10% dos casos elas evoluem para cura naturalmente. Na maioria dos pacientes, o tratamento adequado - que consiste no uso de antifúngico por cerca de três meses - resolve o problema. 

Contudo, no gato, a doença costuma ser mais grave. Além das lesões cutâneas mais difíceis de curar, os animais apresentam sintomas sistêmicos, muitos dos quais relacionados ao trato respiratório. Isso ocorre porque o fungo cai na corrente sangüínea e se dissemina pelo organismo, o que pode, inclusive, causar a morte do gato.

"Na literatura científica mundial, não existe nada semelhante a essa epidemia no Rio de Janeiro", diz o médico Armando de Oliveira Schubach, do Serviço de Zoonoses do Ipec. 

Ele orientou duas teses de doutorado sobre a epidemia fluminense de esporotricose: a de Tânia Maria Pachecho Schubach e a de Mônica Bastos de Lima Barros.

Inseridos no Programa de Apoio à Pesquisa Estratégica em Saúde (Papes) da Fiocruz, os estudos do Ipec sobre esporotricose mostram que donas de casa estão entre as principais vítimas da doença. "Provavelmente, elas se contaminam porque são encarregadas de cuidar dos gatos doentes", diz Schubach. 

Além disso, em torno de 5% dos pacientes são veterinários ou exercem atividades correlatas. 

Já os animais doentes são, em sua maioria, machos em idade reprodutiva. 

"O comportamento destes, que circulam fora do ambiente doméstico e se envolvem em brigas na rua, favorece sua contaminação pelo S. schenckii", afirma.

Pela experiência do Ipec, a esporotricose não parece predominar entre populações miseráveis. A maioria dos pacientes atendidos no Instituto não vivem em favelas. Com renda familiar média entre dois e cinco salários-mínimos, moram em casas de alvenaria, com energia elétrica e saneamento básico. 

O Ipec já recebeu, inclusive, pacientes da Tijuca e da Barra. A diferença é que, nesses bairros, o tratamento adequado dos gatos doentes evita a disseminação da esporotricose

Já na Baixada Fluminense esse controle é mais difícil. 

"O principal conselho é evitar o contato com gatos doentes. Os animais mortos devem ser cremados, para não haver contaminação do ambiente. É aconselhável também castrar os gatos, para diminuir as fugas para a rua, o envolvimento em brigas e o conseqüente risco de contrair o S. schenckii", recomenda Schubach.

Fonte:http://www.fiocruz.br/~ccs/novidades/jun05/gato_fer.htm (junho 2005)


Doenças da Pele (humanos)
Esporotricose
O que é?
A esporotricose é uma micose provocada pelo fungo Sporothrix schenckii. A doença atinge habitualmente a pele, o tecido subcutâneo e os vasos linfáticos mas pode afetar também órgãos internos. É incluída no grupo das micoses profundas.
O fungo causador da esporotricose habita a natureza (solo, palha, vegetais, madeira) e a instalação da doença se dá através de ferimentos com material contaminado, como farpas ou espinhos. Animais contaminados, principalmente gatos, também podem transmitir a esporotricose através de mordeduras ou arranhaduras.
Apesar de poder ser encontrada em todo o mundo, a esporotricose é mais comum em países de clima quente.
Manifestações clínicas
Após a inoculação na pele, há um período de incubação, que pode variar de poucos dias a 3 meses. As lesões são mais frequentes nos membros superiores e na face.
A esporotricose apresenta formas cutâneas, restritas à pele, tecido subcutâneo e sistema linfático, que são as mais frequentes, e formas extra-cutâneas, que afetam outros órgãos e são mais raras.
Entre as formas cutâneas, encontramos:
  • Forma cutâneo-localizada: restrita à pele ou com discreto comprometimento linfático (íngua). É caracterizada por um nódulo (lesão elevada) avermelhado, que pode ser verrucoso (endurecido e com superfície áspera) ou ulcerado (ferido), geralmente recoberto por crostas. Esta forma também pode ocorrer nas mucosas (boca, olhos);
  • Forma cutâneo-linfática: é a forma mais frequente de manifestação da esporotricose. A lesão inicial é um nódulo que pode ulcerar (ferir). A partir dela, forma-se um cordão endurecido que segue pelo vaso linfático em direção aos linfonodos (gânglios) e, ao longo dele, formam-se outros nódulos, que também podem ulcerar, dando um "aspecto de rosário". Pode ocorrer o surgimento de ínguas, que são, geralmente, discretas (foto abaixo);
  • Forma cutâneo-disseminada: as lesões nodulares, ulceradas ou verrucosas se disseminam pela pele. Esta forma é mais comum em pacientes imunodeprimidos.
Existe, ainda, a forma extra-cutânea, ocorrência mais rara, na qual a infecção atinge outros órgãos como: pulmão, testículos, ossos, articulações e sistema nervoso. Nesta forma, a via de contaminação costuma ser a ingestão ou inalação do fungo e também pode haver imunodepressão associada ao seu surgimento.
Tratamento
O tratamento da esporotricose pode ser realizado com o iodeto de potássio, que é bastante eficaz mas pode ser acompanhado de efeitos colaterais, além de antimicóticos de uso sistêmico (via oral). As doses e o tempo de tratamento variam e devem ser determinadas pelo médico dermatologista.
Fomas graves da doença podem necessitar de tratamento com antimicótico por via venosa. Na forma localizada, pode ocorrer cura espontânea.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

RECEBA POR EMAIL