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2 de mai. de 2012

Catarata no cão e no gato

A catarata é uma doença oftálmica que pode atingir cães e gatos. Sendo assim, vou falar como ocorre a catarata no cão e no gato, explicando as suas principais consequências.

O que é a Catarata



A catarata é a opacificação das fibras ou da cápsula da lente. Pode ser originária de problemas congênitos, traumas, inflamações intra-oculares severas, diabetes, intoxicação por naftaleno ou dinitrofenol, pelo processo de envelhecimento ou por um defeito hereditário recessivo, que é a causa mais comum.

A lente é uma estrutura biconvexa e transparente que, em seu estado normal, atua focalizando as imagens na retina, através do fenômeno conhecido como acomodação visual.
Raças Predispostas para a Catarata

No cão, as principais raças predispostas ao desenvolvimento de catarata hereditária são: Poodle, Cocker Spaniel Americano e Inglês, Schnauzer miniatura, Golden e Labrador Retriever, West Highland White Terrier e Afghan Hound.

Catarata em Gatos


A catarata em gatos ocorre com menos freqüência e está relacionada principalmente com o envelhecimento, inflamações intra-oculares ou diabetes.
Causas da Catarata

Independente da causa da catarata quanto mais cedo for diagnosticada e tratada melhores são os resultados, pois não é apenas uma opacificação que leva à cegueira, é uma doença intra-ocular e deve ser tratada como tal. Entretanto, mesmo proprietários extremamente cuidadosos não conseguem perceber uma catarata inicial, pois o exame só é possível com a pupila dilatada, nesse caso é recomendável que seja feito por um oftalmologista veterinário.


A catarata pode ser causada por inflamação intra-ocular (uveíte), mas ela também causa inflamação quando as proteínas da lente se soltam, principalmente nas cataratas maduras. A uveíte não controlada causa dor e pode culminar em glaucoma, pois as células inflamatórias obstruem o ângulo que drena o líquido de dentro do olho (humor aquoso). Então imagine, é como se fosse uma “torneira aberta com o ralo entupido”.

Tratamento da Catarata


O tratamento da catarata é exclusivamente cirúrgico. Não existem comprovações científicas de que o tratamento clínico da catarata possa retardar o desenvolvimento da catarata canina e nos demais animais. Como a cirurgia é realizada por facoemulsificação (ultra-som) os melhores resultados são em cataratas imaturas, ou seja, bem iniciais. Mas cataratas maduras também podem ser operadas.


Outro ponto importante é que a catarata canina, não raro, está acompanhada de atrofia progressiva de retina, principalmente nas raças Poodle e Cocker. Por isso, sempre que o exame do fundo do olho não seja possível é indicada uma eletroretinografia em pacientes candidatos à cirurgia, pois se a retina está atrofiada, mesmo com a remoção da catarata o paciente não volta a enxergar. Mas então, se a retina está atrofiada a cirurgia não é indicada? Na verdade, como a catarata é uma doença ela deve ser removida, pois as suas complicações podem levar à perda do olho. A eletroretinografia serve para nos dar um prognóstico, ou seja, quais as chances do animal voltar a enxergar depois da cirurgia.

Prevenção


Não há como prevenir o aparecimento da catarata, mas podemos diminuir a sua incidência não reproduzindo animais afetados. As complicações sim podem ser prevenidas e quanto antes diagnosticarmos a catarata melhor. É importante uma avaliação oftálmica de rotina, principalmente nas raças predispostas. Mas não esqueça que as demais raças e nossos queridos amigos “vira-latas” não estão livres de alterações oftálmicas.

Fonte: Veterinária Fabiana Quartiero Pereira (Oftalmologia Animal - 21.04.2009)


Figura 1: Desenho esquemático demonstrando a acomodação da lente. Fonte: Slatter, 2005.

Figura 2: Catarata madura em cão da raça poodle (A) e catarata madura em gato da raça persa (B).

Figura 3: Cão com sinais de uveíte e glaucoma. Observe olho vermelho e edema de córnea.

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